terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cycle Chic



Esse aí sou eu indo para o trabalho.

A bolsa a tiracolo e a calça azul marinho dão um certo ar de "carteiro", mas, modéstia à parte, até que eu tô elegante.

Tirando o capacete e a luva que destoam do resto da vestimenta, dava para mandar a foto para os sites de Cycle Chic.

Para quem não conhece, existe todo um movimento na web de pessoas posando com suas bikes em roupas elegantes.

O original começou em Copenhagen e pode ser visto neste link. A divertida versão paulista está aqui.

Na Europa a moda pegou porque o frio faz mesmo a galera ficar melhor vestida. Se fosse no Rio de Janeiro, sobrariam fotos de pessoas andando de bike de chinelo e sem camisa.


Reconheço que existe um certo narcisismo em torno dessa galera que desfila com ares de editorial de moda de revista feminina, onde as bikes (principalmente as retrôs) sempre caíram bem e foram valorizadas.

Mas há também uma mensagem que tem a ver com o que eu venho falando no blog: não é preciso mudar radicalmente de vida para adotar a bicicleta como meio de transporte!!!

O Cycle Chic é mais um jeito divertido de fazer barulho em torno do tema.

Outra contribuição que o Cycle Chic promove para disseminar o uso da bike é a mensagem subliminar de que pedalar é mais "sofisticado" do que pegar o carro todos os dias.

Acho esse raciocínio incrível porque usa das mesmas artimanhas que o marketing da indústria automobilística se valeu durante décadas para vender carros que poluem e causam transtorno nas grandes cidades.

O status, o objeto de desejo das mulheres, a liberdade de rodar livre por paisagens belíssimas (por motivos óbvios, a propaganda nunca exibe os caros parados no trânsito) tem por trás o mesmo raciocínio do Cycle Chic: um estilo de vida bacana!

Só que agora, o legal é não poluir, ser engajado em questões sociais e ambientais, furar o trânsito...

Mas sem perder a elegância, jamais.

Pensando bem, esse post ficou pretensioso para caramba!!!

Antes que me acusem (mais uma vez) de viadagem, quero esclarecer que não mandei a foto para nenhum blog de Cycle Chic.

Perto do charme discreto dessa galera, ia ficar parecendo que eu estava entregando algum e-mail com meu jeitão de "carteiro da web".

E-bikes e o clima

Quem me deu a dica foi o José Antonio Ramalho, colega de profissão bem mais sério do que esse que vos fala.

Ele não perde tempo como eu em sites de commuters ou de empresas de e-bike de fundo de quintal.

O cara vai logo para as cabeças.

Especialista em tecnologia, fã de bicicleta, autor de um livro fantástico sobre roteiros de bike pelo mundo, o "Sete Roteiros de Aventuras", ele me mostrou o projeto da Copenhagen Wheel depois que o entrevistei para uma matéria sobre a evolução dos telefones celulares.

A idéia surgiu para a conferência do clima, a Cop 15. Se os países não chegaram a um acordo sobre como lidar com o aquecimento global, pelo menos puderam conhecer uma boa solução para diminuir o tráfego e a poluição nas grandes cidades.

O vídeo que segue mostra como a coisa funciona:



O grande Hub vermelho concentra um motor e um giroscópio capaz de armazenar a energia cinética criada pelas pedaladas, descidas e freadas. Assim, o ciclista pode usar essa energia extra em momentos que precisa de um empurrãozinho a mais no trajeto, como em uma subida, por exemplo.

Só isso já seria uma grande inovação, mas o Copenhagen Whell vai além. No Hub também há censores que medem a qualidade do ar, a concentração de dióxido de carbono, dióxido de enxofre, entre outros gases de efeito estufa que colaboram para o aquecimento global e fazem mal à saúde.

Todos esses dados são distrubuídos em mapas da cidade para que o ciclista saiba onde está a maior concentração de poluição e trace rotas alternativas.

Os caminhos podem ser compartilhados com outros usuários do projeto, que passam a fazer parte de uma comunidade virtual conectada pelas próprias bikes.

Tudo via smartphone.

É ou não é incrível???

O Ramalho me falou que pretende testar uma criancinha destas em uma de suas muitas viagens futuras.

Já estou morrendo de inveja. Pelo menos o convenci a escrever um relato para o Pedal Elétrico quando ele estiver por lá.

Aguardo ansiosamente.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Bicicletada elétrica

Escrevo este post com três dias de atraso porque a vida não tem me dado muito tempo livre para blogar, infelizmente.

Participei da última Bicicletada com a bike elétrica. Queria divulgar o blog e difundir o uso das e-bikes entre os cicloativistas.

O tema era "Bicicletada à fantasia". Fiz uma lâmpada de arame e prendi no capacete. A arte ficou bem meia boca, mas pude confeccionar um cartaz para colocar no capacete com o endereço do Pedal Elétrico, o que valeu o mico.

A única foto disponível é essa aqui, tirada pela minha mulher quando eu estava saindo de casa, rumo à Bicicletada. Pretendia levar a câmera, mas me organizei pra carregar a bateria da bike e esqueci de carregar a bateria da câmera!!!



Bom, a verdade era que eu estava me borrando de medo da bateria da bike acabar no meio do passeio  e eu passar vergonha tendo de pedalar loucamente para voltar para casa.

Como já disse em posts anteriores, bike elétrica é para ser usada com o motor (se não a coisa toda perde o sentido) e pedalar uma bike de 25 quilos durante um grande percurso, eu imaginava, não seria uma tarefa das mais edificantes.

Assim, me planejei para pedalar a maior parte do tempo no módulo auxiliar (veja post anterior sobre os modos de acionamento do motor), poupando a bateria. Pensei até em ir para a Paulista de metrô, mas fui dissuadido por um companheiro de pedal que foi comigo até a Bicicletada.

Me surpreendi muito, no entanto, ao perceber que é perfeitamente viável pedalar longos trechos com o motor desligado!!! Algo que não tiha percebido no meu dia a dia porque estou sempre atrasado, usando o motor para garantir uma velocidade considerável.

Como o ritmo da Bicicletada não passa muito dos dez quilômetros por hora e a galera não puxa muito a pedalada, ligava o motor na arrancada e logo passava o interruptor para a posição N (neutro), em que o motor é desligado. Mantinha, assim, a pedalada no ritmo das outras bikes.

O percurso todo fiz nessa toada, com exceção das subidas, quando usava o modo auxiliar (P no interruptor) em que o motor é acionado de acordo com as pedaladas.

Além da surpresa do desempenho da e-bike, me surpreendi também com a acolhida do pessoal da Bicicletada. Obviamente, não sobraram piadas com a bike "preguiçosa", mas muita gente veio tirar dúvidas sobre a bike elétrica, sempre no espírito da camaradagem que já tinha ficado explícito em outras Bicicletadas que frequentei com a bike comum.

Só uma coisa chata impediu que a noite fosse perfeita: quando estávamos na Avenida do Estado, em frente ao Gasômetro, houve um bate boca entre um dos muitos motoristas apressados que se irritam com o fato de ter de dividir o espaço da rua com ciclistas e alguns integrantes da Bicicletada. Já vi isso acontecer outras vezes, mas, neste caso, eu estava distraído conversando com um amigo. De repente, ele tentou sair para a direita e jogou o carro em cima de mim, batendo na minha bike e amassando completamente meu paralama traseiro.

 O episódio me fez recordar das piores experiências no trânsito e simbolizou tudo o que eu quero que acabe nessa cidade.

Ainda deu para desamassar o paralama e terminar a noite com um chopp na Prainha, ao lado de um amigo, na tentativa de esquecer o episódio. Não rolou! Mas fica a lição de que a mudança no trânsito só será possível se a gente civilizar também certos trogloditas que são capazes do jogar o carro para cima dos outros para ganhar cinco minutos em seus percursos de volta para casa.

Esse blog surgiu a partir da premissa de que a tecnologia pode ajudar a mudar o conceito de mobilidade urbana na cidade de São Paulo, mas a mudança maior, não resta dúvidas, depende de educação.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Estações de carregamento de e-bikes

A Kyocera, uma das maiores corporações japonesas, desenvolveu estações de energia solar para o carregamento de bateria de bikes elétricas. A idéia é oferecer ao mercado uma opção barata, eficiente e totalmente não poluidora para carregar a bike.


As estações também são ligadas à energia comum, para garantir o funcionamento em dias nublados e durante a noite. 

Eu achei a idéia incrível!!! 

Já sonho com uma dessas na Av Paulista.

sábado, 20 de novembro de 2010

A bike chegou - Dessa vez para valer

A bike voltou do Rio de Janeiro na quinta feira à tarde, mas eu resolvi demorar um pouquinho para contar como foi aqui no blog para saber se estava, de fato, tudo bem com ela.

Segundo o pessoal da Sodibike, o problema era num módulo que fica abaixo do pedivela, responsável pela intermediação entre os comandos de acerleração e breque, a bateria e o motor. Problema resolvido. A primeira coisa que fiz, antes mesmo de parafusar o guidão foi testar o motor. Rodou normalmente. UFA!!!

A Sodibike prestou um serviço satisfatório e rápido, principalmente se levarmos em consideração a distância com o Rio de Janeiro. Eles até mandaram um cadeado e um kit de ferramentas de presente, para se desculpar pelo problema. Muito legal.

Bike montada, vamos para a rua. Comecei acelerando o motor, testando a bike já na subida da rua Rifaina, onde moro. A bike não demorou a pegar velocidade. Ajudei com o pedal numa marcha intermediária (ela tem seis no total) e, em poucos segundos, já estava na Heitor Penteado.

Na avenida, passei para o modo auxiliar, em que o motor é acionado pelas pedaladas, mas, como estava numa descida, não percebi muita vantagem. Ao chegar em um trecho plano, ele se fez mais presente, impulsionando a bike de vez em quando. A gente sente esses impulsos, mas eles não se comparam à força obtida no modo manual.

A grande diferença eu senti quando tive que parar no primeiro semáforo. Geralmente, em uma bike comum, a gente demora a arrancar. Com a bike elétrica, você acelera e em poucos segundos o ritmo já é intenso. Isso faz toda a diferença porque o ciclista pedala quando a bike já está embalada. Isso permite pedalar quase que o tempo todo na marcha mais pesada, algo que seria impossível em uma bike comum, a não ser que você fosse o Lance Armstrong.

Fui até uma bureau gráfico imprimir em adesivos umas plaquinhas de ciclo ativismo e um desenho da Electra, a ninja de HQ, que pretendo colocar na bateria. Fui até a Pedroso de Moraes, quase esquina com a Rebouças. Não demorei mais que dez minutos para chegar. Menos do que quaquer carro que fizesse  o trajeto.

Na volta, resolvi pegar a Francisco Isoldi e a Borges de Barros, duas ladeiras tão íngremes e sinuosas que os moradores da Vila Madalena apelidaram o trecho formado por elas de "Serrinha".

Marcha mais leve, o motor foi que foi. Tive de pedalar, claro, mas subi a ladeirona em menos de um minuto. Se estivesse com uma bike normal seria impensável subir por esse trecho. Escolheria um caminho alternativo, mas mais comprido. No topo, ainda pude deixar o motor trabalhar sozinho para descansar um pouco as pernas.

Tava um calorão, então cheguei em casa um pouco suado.  Mas no primeiro passeio que fiz com a e-bike, me convenci de que a minha escolha foi correta.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Os modos de acionamento de motor

Enquanto tento resolver esse problema com a minha bicicleta, continuo publicando os posts sobre as propriedades das bicicletas elétricas. 

Em geral, uma e-bike tem dois jeitos de acionamento do motor: ligado e desligado. É simples assim.

Nos dois casos é sempre possível pedalar.

A maior parte do kits de adaptação funciona com um botão de on/off, já que é mais complicado instalar manetes do tipo motocicleta (que funcionam como um acelerador apresentando graduações da potência do motor).

As e-bikes que já vêm pronta costumam ser um pouco mais sofisitcadas e trazem o manete com acelerador.

Mas existe um terceiro sistema de acionamento do motor que se chama "auxílio de pedal".

Interruptor que aciona os modos do motor

Funciona assim: o motor é acionado pelas pedaladas, dando um ganho no desempenho do ciclista. É um sistema mais moderno que mescla, naturalmente a pedalada com o funcionamento do motor.

De acordo com os fabricantes, isso garante o melhor desempenho da bateria, já que o motor funciona de maneira constante.

Existem e-bikes que têm apenas esse modo de acionamento de motor.

A bike voltará para o Rio de Janeiro

Falei com o pessoal da Sodibike, empresa representante da Blitz no Brasil.

Eles foram solícitos e me pediram para enviar a bike de volta para o Rio de Janeiro, onde está a sede da empresa.

Aparentemente, eles não têm uma autorizada em São Paulo que possa resolver o problema, o que me deixou preocupado porque problemas futuros também podem surgir.

De qualquer forma, essa é a única opção que tenho, então... Aguardemos as cenas dos próximos capítulos!